• Plano Pastoral 2016 2017
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São Bartolomeu

A romaria de São Bartolomeu celebra-se em Agosto, não tendo dia certo. Celebra-se em anos intercalados.

É uma festa que junta a população desta terra.

É uma festa religiosa, e como tal repleta de símbolos religiosos, como é o caso da procissão que ocorre normalmente na tarde do dia de São Bartolomeu, por altura da romaria.

São Bartolomeu – Mártir

S. João chama, a este apóstolo, Natanael ou dom de Deus; os três Evangelhos Sinópticos chamam-lhe sempre Bartolomeu ou Bar-Tolmai, filho de Tolmai. É o mesmo caso de S. Pedro, que se chamava Simão, filho de João. O Discípulo amado refere-nos o nome próprio, e os outros evangelhos o apelido. Natanael é a mesma pessoa que Bartolomeu. Não há dúvida que os dados evangélicos insinuam a identidade.

A primeira entrevista de Natanael com Jesus é quase a única coisa certa que sabemos do Santo.

Seguia Jesus, no princípio do seu ministério público, para a Galileia. Com Ele iam Pedro e André, Tiago e João, os primeiros discípulos. No caminho tinha-se-lhes juntado S. Filipe, homem bom e simples, que era amigo de Natanael. Filipe sentia-se feliz acompanhando Jesus. Passara com Ele apenas dois dias, mas tinham bastado para entusiasmar-se e convencer-se de ter encontrado o Messias e Salvador do mundo. Logo que viu o amigo Natanael, comunicou-lhe a feliz notícia. O amigo estava ao ar livre. “Encontrámos o Messias, aquele de quem falaram Moisés e os Profetas”.

Notícia entusiasmante para um bom judeu. “É Jesus, filho de José de Nazaré”. Este dado não satisfez Natanael: Nazaré era uma aldeola, perto da sua, Caná, e tinha má fama; além disso, a Escritura não falara nunca de Nazaré; o Messias por força havia de nascer em Belém de Judá. Natanael era crente cego na palavra de Deus, que não pode deixar de cumprir-se.

Filipe que não quis discutir, pois conhecia a ciência de Natanael; era mais lido e culto que ele. Apelou para um argumento de experiência que já conhecia, e devia ser decisivo. Contentou-se com dizer sobriamente: conhecia, e devia ser decisivo. Contentou-se com dizer sobriamente: Vem e verás. Filipe sabia muito bem o que era ver Jesus e tratar com Jesus. Todos os preconceitos e todas as dúvidas se desvaneciam com a Sua presença, como se desfazem as sombras com a saída do sol.

Natanael foi ter com Jesus e, logo que o viu chegar, o Mestre disse aos discípulos de maneira que o ouvisse o interessado: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em que não há engano”. “Donde me conheces?”, replicou Natanael. “Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu via-te”.

Nos países solheiros do Oriente, o ar, a água e a sombra são indispensáveis. Natanael gostava de ler e meditar a Sagrada Escritura à sombra fragrante e fresca da figueira, árvore muito espalhada na Palestina. Tratava-se dum facto íntimo, que o tinha impressionado e ninguém senão ele podia conhecer. Jesus penetrava no seu coração e revelou com isto vir da parte de Deus. Natanael não precisava de mais para render-se. “Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Títulos messiânicos, que não é preciso expressarem uma fé na divindade de Jesus. Isto virá mais tarde.

Natanael une-se à comitiva e assiste sem dúvida às bodas de Caná, onde se confirma a sua fé primeira. Na lista dos apóstolos figura sempre com o nome de família, Bartolomeu.

Os livros sagrados nada nos dizem da sua vida. A tradição completa-lhe algum tanto a bibliografia. Eusébio, no século IV, escreve que Panteno, fundador da escola catequética de Alexandria e mestre de Orígenes, encontrou no século II, na viragem pelo Oriente, vestígios de passagem apostólica de S. Bartolomeu. Entre outras recordações, um exemplar aramaico do primeiro Evangelho, que Panteno transferiu para Alexandria. Ao dizer Eusébio que S. Bartolomeu pregou nas Índias, entende-se sem dúvida o Oriente. E por isso não contradiz o testemunho de Rufino que fala da Etiópia, como campo de pregação, nem o daqueles que mencionam a Arábia Feliz. Outros testemunhos falam da Mesopotâmia, Pérsia, Egipto, Licaónia, Frigia, as costas do Mar Negro e a Arménia.

O lugar, portanto, da pregação de Bartolomeu fica muito impreciso na antiga tradição cristã, em parte porque todas as igrejas queriam ter como fundador algum apóstolo.

O facto do seu martírio não se pode pôr em duvida, pois todos os testemunhos concordam. Não é tão seguro o género de morte com que glorificou a Deus. No século XIII nasce a lenda de ter sido degolado vivo por um rei misterioso da Arménia. Muitos continuaram porém a falar de decapitação, mas os artistas preferem representá-lo com a pele de rastos e na mão uma faca, e eles impuseram essa crença, hoje tão universalmente estendida, mas não provada. Ela explica porque é ele considerado padroeiro dos que trabalham com peles – não humanas evidentemente: dos curtidores, dos carniceiros e até dos encadernadores.

Teodoro, o Leitor, e Procópio dizem-nos que os restos do Santo foram levados para Daras da Mesopotâmia, onde em 508, o imperador Anastácio levantou em sua honra uma igreja. S. Gregório de Tours refere que daí vieram para a ilha de Lípari. De lá, em 808, para Benevento; por fim do, no ano 1000, para Roma, para a Igreja de Santo Adalberto, que desde então se ficou a chamar “San Bartolomeo in Ínsula” e chegou a ser título cardinalício.

São Bartolomeu – A Procissão

A procissão de São Bartolomeu, é feita sempre que há romaria em honra de São Bartolomeu.

Em São Romão do Coronado, as pessoas juntam-se para a ver passar, e são muitos os esforços para que tudo corra dentro da normalidade.

No final todos quantos participam na procissão acabam cansados, mas satisfeitos, ora porque cumpriram uma promessa, ora porque contribuíram na festa de alguma forma.

E assim a romaria perpetua no tempo…