• Plano Pastoral 2016 2017
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Outras Festas

Encomendação das Almas

A Encomendação das Almas era um costume antigo profundamente religioso, praticado em São Romão do Coronado, o que caiu em desuso ainda durante o século passado. Fazia-se a 2 de Novembro para encomendar as almas e sufragá-las, em especial as almas do Purgatório.

O encomendador saía de casa de madrugada. Levava consigo uma campainha e um bordão, dirigindo-se à igreja da freguesia. Aí chegado, batia à porta com o bordão e rogava: “Almas boas, acompanhai-me! Almas Más, desamparai-me!”. Iniciando então um percurso por toda a freguesia levava consigo as almas boas e ia fazendo um apelo aos vivos, para que fizessem rezas de encomendação pelos seus mortos. Depois da volta dada, o encomendador regressava à igreja para deixar as almas que o tinham acompanhado e pelas quais pedira e fizera o sufrágio.

Reisadas

Também de carácter religioso com o seu quê de profano, eram as reisadas, uma espécie de representação ou folguêdo popular que tinha como objectivo festejar a chegada dos Reis Magos a Belém.

Com grande expressão em terras minhotas, eram peças de teatro animadíssimas, em que todo o povo de São Romão participava. Os habitantes, alternadamente, eram apresentadores, actores e público e, muito do que se via, apesar de previamente encenado pelos próprios, nascia espontaneamente durante o desenrolar do espectáculo.

Matança do porco

A matança do porco praticou-se sempre em São Romão do Coronado. Quase nem A matança do porco, velho rito sempre muito apreciado era preciso ir à povoação, quem vinha do comboio logo via o espectáculo todo montado e em pleno movimento. Como outras tradições, vai-se perdendo na memória daqueles que há mais tempo o praticam. Nessa altura, chegavam-se a matar três ou quatro porcos por dia.

Em Dezembro, a partir da segunda semana do mês, escolhia-se um dia de Lua Nova – tido como o mais propício para desenvolver os ritos da matança – sendo da crença popular a ideia de que a carne da Lua Nova cresce na panela quando for preparada. A operação da matança exigia pelo menos quatro homens de forte compleição física.

Sucessivamente, o animal era atado pela perna esquerda, enlaçado no focinho, e arrastado pelas orelhas até se conseguir amarrá-lo totalmente à cabeçalha do carro de bois e ao fueiro da traseira. Seguidamente, dois dos homens agarravam as chamadas mãos do bicho, de forma a que o matador pudesse colocar adequadamente a faca.

Seguiam-se diversas operações rituais, como a coagulação do sangue, para depois ser cozido e utilizado nas papas de sarabulho. O porco era em seguida parcialmente aberto e, do interior, fazia-se a extracção das tripas, língua, coração e bofes. Depois, era atravessado por um pau, afim de ser pendurado num gancho suspenso de uma trave da loja, nome dado ao andar inferior das casa, utilizado para recolher os animais, guardar o vinho, a salgadeira de carne e as alfaias agrícolas.

No dia seguinte, depois da carne ter secado durante a noite, desmanchava-se o porco, começando a sair as partes mais preciosas: os lombos, tiras da barriga e do cachaço, as pás e os presuntos.

Todas as aparas tiradas (as fêveras) eram feitas em rojões e os ensanguentados transformavam-se em morcelas. Também com carnes de fêveras, eram feitos os salpicões, que se punham em vinho e alho durante quatro ou cinco dias. Os presuntos ficavam em sal durante três ou quatro semanas.