• Plano Pastoral 2016 2017
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O Início da História

Promenor das chaminés das casas mais abastadas.O início da história de São Romão do Coronado, remonta ao séc. V, quando os povos chamados bárbaros, os Suevos e os Vísigodos, aqui chegaram. Rapidamente findaram o domínio secular dos romanos e lançaram as bases do cristianismo em Portugal. Estes povos, que inicialmente eram um povo pagão e adorador de vários Deuses, estiveram na base da fundação das primitivas paróquias a partir do momento em que se converteram ao catolicismo.

Nem mesmo a invasão muçulmana, no ano de 711, logo seguida de uma vigorosa Reconquista Cristã, interrompeu estas sementes de cristianismo lançadas pelos povos germânicos. Situação que se fez sentir principalmente no Norte do país, o domínio da mourama praticamente não existiu, a não ser por um breve período de trinta anos. As estruturas religiosas mantiveram-se assim intactas, tal qual haviam sido deixadas antes da grande invasão.

Nos inícios do séc. XI, a área do actual distrito de Bragatinha já 667 paróquias, o que correspondia a uma densidade de 2,5 paróquias por cada 10 km. E na região entre o Ave e o Douro, a densidade era ainda maior.Tal como a oliveira, também a laranjeira dá bem com o clima de São Romão.

No séc. XII, era já elevado o número de igrejas e paróquias rurais. Aumento devido à acção evangelizadora de São Martinho de Dume e São Frutuoso, retomada pelos Mosteiros.

São Romão do Coronado, à época Mamoa de São Romão do Vale do Coronado, (Mamona Sancti Romani de Cornado) designação devida a qualquer vestígio pré-histórico ali encontrado e à fertilidade das terras onde se encontrava, estava integrada na vasta Terra da Maia (ou Amaia) desde o séc. X. Dizem alguns autores que o nome Coronado terá aparecido, por aqui se ter sepultado um soldado romano de nome Corona. A tradição oral refere a existência de um cemitério romano ladeado por um rio, o rio Mamôa. Poderá ser, também, a consagração de um certo tipicismo geográfico (aldeia em forma de coroa – “coronna“).

A Terra da Maia ocupAs casas rurais, quando restauradas dão beleza a alguns sítios de São Romãoava uma área entre os rios Douro e Ave e constituía um amplo e fértil reguengo, como tal pertença da Coroa. A sua propriedade plena só muito tarde veio a ser pulverizada em favor das alterações enquadradas na evolução do regime senhorial. As Casas rurais antigas, quando restauradas dão beleza a alguns sítios de São Romão.

A fundação da Terra da Maia provoca grandes divergências junto dos mais diversos historiadores. Alguns autores fazem remontar as suas origens à ilustre família romana dos Pallas do tempo de Cláudio, imperador que viveu no século I. Daí nasceram aquelas que posteriormente viriam a ser baptizadas por Terras de Palância. Outros estudiosos refutaram esta teoria, delimitando o nascimento da Terra da Maia no séc. IX ou até no séc. XI.

Casa antigaEra Senhor da Terra da Maia D. Soeiro Mendes da Maia, irmão de Gonçalo Mendes da Maia, que as recebera de seus pais, tendo-as estes recebido como recompensa de feitos de armas. D. Soeiro Mendes da Maia foi um dos mais esforçados guerreiros da época da conquista Cristã e da fundação da Monarquia.

A Terra da Maia era limitada a Norte pelo rio Ave, a Poente pelo Oceano, a Sul e Nascente pelo rio Douro e Porto e por uma linha abrangendo Gondomar, Valongo, Serra da Grela, Monte Córdova, Alfena, Covelas e Bougados (São Martinho de Bougado e Santiago de Bougado).

Segundo Leite de Vasconcelos, a Terra da Maia correspondia, em meados do séc. XIII, ao Julgado da Maia, como referem, aliás, as Inquirições de 1258. Embora no numeramento de 1527 apenas se refira o Julgado, nas Inquirições de 1518, que precederam a concessão do foral, lê-se “Terra” e concelho da Maia, visto nessa altura já o Julgado ter transitado para o concelho. Em 1519, recebe Foral, de D. Manuel, tornando-se assim Terra e Concelho da São Romão, orago da Freguesia da Maia, São Romão do Coronado, como parte integrante da Terra da Maia, beneficiou de forma visível desse foral.

A expressão Terra da Maia aparece também como divisão eclesiástica no “ano ou lotação das Igrejas de 1320″, e ainda como Arcediago ou Comarca da Maia, mais tarde.

SolarNo séc. XIII, a freguesia de Coronado já estava constituída em Paróquia independente. No tempo de D. Dinis – quando este conseguiu uma bula Papal que o autorizava a cobrar a décima de todas as igrejas do reino, com o propósito de poder fazer face a uma pretensa investida dos mouros (se a ameaça existia, não chegou a concretizar-se) – a igreja de São Romão do Coronado foi taxada em 30 libras.

Era uma importância elevada para a época, mas menor que algumas das que foram cobradas em Paróquias da região, hoje pertencentes ao concelho da Trofa. A vizinha São Mamede de Coronado, por exemplo, foi taxada em 70 libras, tal como a Paróquia de São Cristovão do Muro, São Martinho de Bougado em 65 libras, São Tiago de Bougado em 35, Santa Maria de Alvarelhos em 40, Guidões em 20, São Romão foi uma das Paróquias taxadas com uma menor quantia, como se vê, ainda assim de peso para as possibilidades da época.

Em 1384, todos os territórios que pertenciam à Terra da Maia foram integrados no Termo do Porto, como aconteceu também, por exemplo, com os Julgados de Refojos e Aguiar de Sousa. Assim aconteceu porque D. João I decidiu premiar os homens-bons da cidade pela lealdade demonstrada na crise que antecedeu a sua subida ao trono.

CruzeiroDurante séculos, a Terra da Maia dependeu da cidade do Porto a todos os níveis. Dependência que se por um lado, se traduziu num saldo final negativo, porque todos os rendimentos eram canalizados para a grande “capital”, por outro lado representou factor de desenvolvimento para a região. Isso trás à memória, por exemplo, os caso de peste que assolaram o Termo do Porto, durante os finais do séc. XVI, aos quais a cidade acorreu de imediato, como era, aliás, a sua obrigação.

Para Torquato de Sousa Soares, os territórios anexados ao Termo do Porto perdiam automaticamente todos os seus direitos políticos. Os concelhos ou Julgados abrangidos na sua área não só ficavam sujeitos aos ouvidores, meirinhos e procuradores que a cidade lhes impunha, como também eram dependentes do Senador portuense na sua administração municipal. A regulação das actividades económicas era também da responsabilidade da Câmara do Porto.

Em meados do séc. XVI, a Câmara do Porto tinha o poder sobre os sete concelhos em seu redor: Maia, Aguiar de Sousa, Penafiel, Gaia, Gondomar, Bouças e Riba d’ Ave. O Termo do Porto ficara definitivamente formado depois de Azurara (1386), Melres (1369) e Maia, Bouças e Gaia (1384) terem passado à sua jurisdição.

As únicas excepções a este domínio eram os Coutos, espaços dados às ordens religiosas e aos mosteiros e as Honras, doadas às Casas Senhoriais.

Em meados do séc. XVIII, estava ainda no Termo do Porto. Contava então 63 fogos e cinco lugares: Venda Velha, Mamoa, Rua, Portela e Fonte Leite.