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Memórias Paroquiais do Século XVIII

Para que se possa dar a conhecer um pouco mais desta freguesia que é São Romão do Coronado, o “Jornal da Trofa”, na pessoa de M. Moutinho Duarte, publicou em 14 de Fevereiro de 2003 um questionário acerca da região, datado do século XVIII. As respostas ao mesmo, foram publicadas a 02 de Maio de 2003, e correspondem às que o Abade, Todósio de Sá Brandão Freire emitiu em 7 de Abril de 1758, nesta mesma freguesia. Neste sentido e a pedido de várias famílias, aqui serão transcritas as perguntas e respostas, alvo da referida publicação, com algumas adaptações.

QUESTIONÁRIO

§ 1.º

O que se pretende saber desta terra é o seguinte:

1.º – Em que província fica, a que bispado, comarca, termo de freguesia pertence?

R.: Esta freguesia, está na Província de Entre Douro e Minho, é da comarca da Maia e pertence ao bispado do Porto.

2.º – Se é d’ El-rei ou de Donatário e quem o é no presente?

R.: A apresentação desta freguesia é da mesa Abacial dos Reverendos Padres da Companhia de Jesus da cidade de Évora.

3.º – Quantos vizinhos tem e o número das pessoas?

R.: Toda a freguesia consta de sessenta e três vizinhos ou fogos, e as pessoas maiores dela são cento e cinquenta e oito; os menores quinze; e os ausentes trinta e sete.

4.º – Se está situada em campina, vale ou monte e que povoações se descobrem nela e quanto dista?

R.: Está situada num vale; e dela só para a parte Poente, se descobrem terras da freguesia de São Mamede do Coronado, com quem está vizinha, e para as outras três partes tudo são terras da mesma freguesia.

5.º – Se tem termo seu, que lugares ou aldeias compreende, como se chamam e quantos vizinhos tem?

R.: Não tem termo seu.

6.º – Se a paróquia está fora do lugar ou dentro dele e quantos lugares ou aldeias tem a freguesia e todos pelos seus nomes?

R.: A igreja está situada com pouca diferença, no meio da freguesia, e esta compreende cinco lugares ou aldeias, a saber: Venda Velha, Mamoa, Rua, Portela e Fonteleite.

7.º – Qual é o seu «orago», quantos altares tem e de que santos, quantas naves tem, se tem irmandades, quantas e de que santos?

R.: O Senhor São Romão é padroeiro desta freguesia.

Tem a igreja três altares: o maior que é o Santíssimo, nele está colocado o padroeiro; e os dois colaterais, um é do Baptista e o outro da Conceição.

Não tem naves e só tem a irmandade do Subsigno.

8.º – Se o Pároco é cura, vigário, reitor, prior ou abade e de que apresentação é e que renda tem?

R.: O Reverendo Pároco dela é Abade colado; nas últimas Bulas que foram para Roma foi lotado este benefício em trezentos e vinte mil réis.

9.º – Se tem beneficiados, que renda têm e quem os representa?

R.: Não tem beneficiados.

10.º – Se tem conventos e de que religiosos ou religiosas e quem são os seus padroeiros?

R.: Não tem conventos.

11.º – Se tem hospital, quem o administra e que renda tem?

R.: Não tem hospital.

12.º – Se tem Casa de Misericórdia e qual foi a sua origem e que renda tem, e o que houver de notável em qualquer destas coisas?

R.: Não tem Casa de Misericórdia.

13.º – Se tem algumas ermidas e de que santos e se estão dentro ou fora do lugar e a quem pertencem?

R.: Tem duas ermidas: uma do Senhor São Bartolomeu e a outra da Senhora Santa Eulália; ambas estão dentro desta freguesia e pertencem aos moradores dela.

14.º – Se acodem a elas romagem sempre ou em algum dia do ano e quais são estes?

R.: No dia da festa de Santa Eulália concorre algum povo das freguesias circunvizinhas a visitar a sua capela.

15.º – Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem com maior abundância?

R.: Milhão é o fruto que os moradores desta freguesia colhem em maior abundância.

16.º – Se tem juiz ordinário e câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra e qual é esta?

R.: Não tem juiz ordinário; está sim sujeita às Justiças da cidade do Porto.

17.º – Se é couto, cabeça de concelho, honra ou beetria?

R.: Não há nela couto, nem cabeça de concelho, nem honra.

18.º – Se há memória de que florescessem ou dela saíssem alguns homens insignes por virtudes, letras ou armas?

R.: Nela floresceu o Reverendo Abade Manuel Sá Brandão, Pároco que foi desta freguesia, grande esmoler e de conhecida virtude; não há notícia de que dela saíssem outras pessoas insignes em virtudes, letras ou armas.

19.º – Se tem feira e em que dias e quantos dura e se é franca ou cativa?

R.: Dentro desta freguesia não se faz feira alguma.

20.º – Se tem correio e em que dias da semana chega e parte? E se não tem de que correio se serve e quanto dista a aonde ele chega?

R.: Não tem correio, e os moradores desta freguesia servem-se do correio da cidade do Porto, que dista duas léguas e meia da cidade do Porto.

21.º – Quanto dista da capital do bispado e quanto de Lisboa, capital do reino?

R.: A freguesia dista duas léguas e meia da cidade do bispado, que é a cidade do Porto; e dizem que cinquenta e duas e meia de Lisboa.

22.º – Se tem alguns privilégios, antiguidades ou outras coisas dignas de memória?

R.: Não tem privilégios, antiguidades nem outra coisa alguma digna de memória..

23.º – Se há terra ou perto dela alguma fonte ou lagoa célebre e se as suas águas têm alguma especial virtude?

R.: Tem duas fontes e alguns poços, de cujas águas se servem os moradores para seu uso: porém não têm estas águas qualidade especial alguma.

24.º – Se for porto de mar, descreva seu sítio, que tem por arte ou por natureza, as embarcações que frequentam a que pode admitir?

R.: Não é porto de mar..

25.º – Se a terra for murada diga-se a qualidade de seus muros; se for praça de armas, descreva-se a fortificação; se há nela ou no seu distrito algum castelo ou torre antiga e em que estado se acha ao presente?

R.: Não é terra murada, nem nela há castelo, nem torre antiga alguma.

26.º – Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755 e em quê e se está reparada?

R.: E posto nela se experimentasse o terramoto do dia de Todos-os-Santos do ano de mil setecentos e cinquenta e cinco, nesta freguesia não causou ruína alguma.

27.º – E tudo mais o que houver digno de memória de que não faça menção o presente interrogatório.

R.: Não há coisa digna de memória, que desta freguesia descreva.

E assim como desta freguesia se não descobre serra alguma eminente, não há o que informar a respeito do capítulo que trata esta matéria.

§ 2.º

O que se procura saber dessa serra é o seguinte:

1.º – Como se chama?

2.º – Quantas léguas tem de comprimento e quantas de largura, onde principia e onde acaba?

3.º – Os nomes dos principais braços dela?

4.º – Que rios nascem dentro do seu sítio e algumas propriedades mais notáveis deles, as partes para onde correm e onde fenecem?

5.º – Que vilas e lugares estão assim na serra como ao longo dela?

6.º – Se há no distrito algumas fontes de propriedades raras?

7.º – Se há na serra minas de metais ou canteiras de pedras ou de outros metais de estimação?

8.º – De que plantas ou ervas medicinais é a serra povoada e se se cultiva em algumas partes e de que géneros de frutos é mais abundante?

9.º – Se há na serra alguns mosteiros, igrejas de romagem ou imagens milagrosas?

10.º – A qualidade do seu temperamento?

11.º – Se há nela criações de gado ou de outros animais ou caça?

12.º – Se tem alguma lagoa ou fojos notáveis?

13.º – E tudo o que mais houver digno de memória?

§ 3.º

O que se procura saber do rio dessa terra é o seguinte:

1.º – Como se chama assim o rio como o sítio onde nasce?

R.: Por esta freguesia corre um pequeno ribeiro, que por pequeno não tem nome, o qual tem princípio no lugar de Mendões, que é da freguesia de São Mamede do Coronado, vizinha desta, pela qual atravessando se passa à de Folgosa, São Pedro-Fins e ultimamente à de São Lourenço, onde se mete no Rio Leça.

2.º – Se nasce logo caudaloso e se corre todo o ano?

R.: Nasce com poucos cabedais, por cuja causa no Verão se vê quase seco, e no estio de todo extinto.

3.º – Que outros rios entram nele e em que sítio?

R.: Nele não entram rios alguns.

4.º – Se é navegável e de que embarcações é capaz?

R.: Não é navegável, nem é capaz de embarcação alguma por pequena que fosse.

5.º – Se é de curso arrebatado ou quieto em toda a sua distância ou em alguma parte dela?

R.: Em partes é de curso arrebatado e em partes quieto.

6.º – Se corre de norte a sul, se de poente a nascente, se de sul ao norte, ou de nascente a poente?

R.: Corre de norte para sul.

7.º – Se cria peixes e de que espécie são os que traz em maior abundância?

R.: Só cria alguma truta, barbo, escalo principalmente nas freguesias de São Lourenço, onde se mete no Rio Leça e na vizinha São Pedro-Fins, os quais peixes sobem por ele acima.

8.º – Se há nele pescarias e em que tempo do ano?

R.: Não há nele pescarias em tempo algum do ano. Por cuja causa nem são livres, nem de pessoa alguma particular.

9.º – Se pescarias são livres ou de algum senhor particular em todo o rio ou em alguma parte dela?

10.º – Se se cultivam as suas margens e se tem muito arvoredo de fruto silvestre?

R.: Poucos moradores, que têm terras nas suas margens se aproveitam das suas águas, por não ter cómodo para isso.

11.º – Se tem alguma virtude particular as suas águas?

R.: Nem as suas águas têm virtude especial alguma; as árvores que tem ao pé são silvestres e não dão fruto, como são: amieiros, salgueiros e carvalhos.

12.º – Se conserva sempre o mesmo nome ou começa a ter diferente em algumas partes e como se chamam estas ou se há memória de que em outro tempo tivesse outro nome?

R.: Por pequeno, não tem nome, e só o toma das freguesias por onde passa, chamando-se aqui o ribeiro de São Romão, ali o de São Mamede, etc.

13.º – Se morre no mar ou noutro rio e como se chama este e o sítio em que entra nele?

R.: Morre no Rio Leça.

14.º – Se tem alguma cachoeira, represa levada ou açudes que lhe embaracem o ser navegável?

R.: Tem algumas levadas e represas de água para efeito de nele se conservarem algumas azenhas e moinhos em que os moradores das freguesias por onde passa moem o seu pão no tempo do Inverno, sem que as ditas levadas sejam impedimento para não ser navegável.

15.º – Se tem pontes de cantaria ou de pau, quantas e em que sítio?

R.: Não tem pontes algumas de esquadria; em todas as freguesias por onde passa tem passagens toscas, nem de outras necessita por ser de poucas águas.

16.º – Se tem moinhos, lagares de azeite, noras ou outro algum engenho?

R.: Tem azenhas e moinhos em que os moradores das freguesias por onde passa moem o seu pão no tempo do Inverno.

17.º – Se em algum tempo ou no presente se tirou ou tira ouro das suas areias?

R.: Não há memória, em tempo algum de ocorrerem retiradas de ouro das suas areias.

18.º – Se os povos usam livremente das suas águas para a cultura dos campos ou com alguma pensão?

R.: É livre aos lavradores aproveitarem-se de suas águas, sem que para isso paguem pensão a pessoa alguma.

19.º – Quantas léguas tem o rio e as povoações por onde passa desde o seu nascimento até onde acaba?

R.: São pouco mais ou menos uma légua desde o lugar de Mendões, princípio deste ribeiro até à freguesia de São Lourenço, fim do mesmo ribeiro.

20.º – E qualquer outra coisa notável que não vá neste interrogatório.