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Atualidade

Imagem aérea de São Romão Com quase cinco mil habitantes, a meia distância entre a cidade de Santo Tirso, a da Maia, Trofa, Paços de Ferreira e Porto, São Romão é, actualmente, uma freguesia importante para a organização e coordenação económica do Norte do país. Tem sabido tirar partido da proximidade da Área Metropolitana do Porto, desenvolvendo-se a todos os níveis e encerra em si mesma expectativas fundamentadas e, espera-se, consequentes.

Este desenvolvimento teria sido porventura mais complexo se durante o séc. XX tivessem sido tomadas determinadas decisões, de cariz político e económico, que resultariam no enriquecimento da freguesia e na concretização de uma série de infra-estruturas fundamentais para a concretização de uma real qualidade de vida dos seus habitantes.

Nos inícios do século, São Romão era uma pequena freguesia de Santo Tirso, constituída por oito lugares: São Romão, Igreja, Fontiela, Segonheira, Rua, Lousado, Portela e Fonte Leite. Iria desenvolver-se fortemente nas décadas seguintes.

Durante os anos 30 e 40, teve uma posição de relevo no meio turístico citadino. Principalmente no Verão, as festas sucediam-se. Eram os arraiais minhotos, eram os bailes carnavalescos, eram as festas regionais na “Poça do Barro” e “Carvalheira”, eram tantas outras que faziam as delícias da gente da terra e traziam milhares de visitantes das redondezas.

A economia ressentia-se, naturalmente, deste festivo panorama, em especial o comércio, que nesses dias não tinha “mãos a medir” para a verdadeira turbamulta que chegava diariamente à localidade. São Romão do Coronado, nesta altura, chegou a ter um hotel, para acolher a mole imensa de turistas que diariamente visitava a povoação.

Foi então que surgiu uma daquelas oportunidades únicas, que ditaria a partir daí, se não tivesse sido perdida, todo o desenvolvimento futuro de São Romão do Coronado. Falamos da construção do Aeroporto que veio servir a cidade do Porto, que poderia ter sido feita em São Romão. Essa hipótese foi aventada com insistência, arreigados mas inexplicáveis interesses locais provocaram a interrupção do projecto. O Aeroporto acabaria por ser construído em Pedras Rubras, no concelho da Maia.

Mesmo os obstáculos que foram sendo criados à venda de terrenos na área da freguesia, fosse para a instalação de fábricas, fosse para a construção civil, adiaram o seu desenvolvimento de São Romão. Mas, superando todos os contratempos, o ansiado crescimento económico e social acabou por acontecer e determinou a integração da Freguesia no novo concelho da Trofa, quando este se formou, em 19 de Novembro de 1998.

A Trofa, território das antigas terras da Maia, foi por decisão administrativa, tomada do Terreiro do Paço, em 1835, integrada no então recém criado concelho de Santo Tirso. Os trofenses nunca aceitaram este “casamento de conveniência”, porque não existia qualquer identificação cultural com a gentes tirsenses.

De uma maneira ou de outra, São Romão do Coronado cresceu, a nível urbanístico e industrial. Em meados do século, eram notáveis as suas oficinas de serralharia e fundAspecto da Urbanização do Seixalição de metais e de construção de máquinas agrícolas e industriais. Havia também um forte desenvolvimento agrícola.

Ao longo da segunda metade do séc. XX, sobressaiu ainda uma indústria de feição artesanal, em regime caseiro: a indústria de escovas e vassouras de piaçaba, na qual se empregava grande número de pessoas. Chegou a atingir grande importância na economia da freguesia a criação de gado cavalar, tal como os aviários industriais de Monte Cabrito e as oficinas de marmoristas.

Em 1991, nos alvores do séc. XXI, São Romão do Coronado contava com uma população residente de 3303 habitantes, segundo o Recenseamento Geral à População de 1991. Destas 3303 pessoas, 1655 eram homens e 1648 mulheres. Havia nesse ano 2495 pessoas recenseadas.

Uma evolução demográfica significativa, especialmente a partir de meados do século, altura em que a população “disparou”. Este crescimento demográfico tornou-se visível a partir da década de 50. Aí, o número de habitantes chegou quase aos 1700 e em 1970 ultrapassou a barreira das duas mil pessoas.

Actualmente, entre as actividades fabris, evidenciam-se a metalomecânica, a indústria têxtil, a transformação de mármores e granitos, a construção de equipamentos agrícolas e o fabrico de todos os tipos de vassouras.

Também merece uma referência especial, o fabrico de brinquedos em madeira, com grande desenvolvimento em São Romão do Coronado.

As necessidades básicas da população vão sendo garantidas através da gradual cobertura da rede de água e saneamento básico. Em 1992, foram inauguradas as excelentes instalações da unidade de saúde, na Rua de Vasco Santana, lugar da Portela. Abrangem as freguesias de São Romão do Coronado, São Mamede do Coronado, Covelas e Folgosa (Maia), Estão dimensionadas para abranger uma população de 18 mil habitantes.

Em termos de educação, possui duas Escolas Primárias, uma na Rua Dr. Délio Santarém e outra, mais recente, no lugar de Fonte Leite. Merece referência a primeira destas Escolas. Muito bonita, típica do Estado Novo.

São Romão do Coronado tem também Ensino Pré-Primário, através de um Jardim de Infância.

Em 1994, foi concluída a construção da Escola C+S de São Romão. Com capacidade para 700 alunos, funcionou pela primeira vez no Ano Lectivo de 1994/95, servindo, pela sua capacidade, os alunos de São Mamede do Coronado e Covelas. Obra importante e muito aguardada na freguesia, veio colmatar uma lacuna importante no domínio da educação.

Em 1994, foi concluída a construção da Escola C+S de São Romão. Com capacidade para 700 alunos, funcionou pela primeira vez no Ano Lectivo de 1994/95, servindo, pela sua capacidade, os alunos de São Mamede do Coronado e Covelas. Obra importante e muito aguardada na freguesia, veio colmatar uma lacuna importante no domínio da educação.

O Centro de Distribuição Postal de Braga mantém em São Romão uma dependência dos CTT, no chamado Largo dos Correios, que preenche as necessidades das populações. Esta dependência foi inaugurada em Agosto de 1958.

Ao mesmo tempo, foi duplicado e electrificado o troço do caminho de ferro Ermesinde – São Romão que posteriormente voltou a sofrer obras de beneficiação e,Escola C + S de São Romão do Coronado remodelação do troço São Romão – Lousado. A sua Estação, a terceira da linha do Minho (sem contar com as do Porto), depois de Rio Tinto e Ermesinde e o espaço em volta, sofre obras de beneficiação que revolucionam o panorama económico da freguesia. Depois da conclusão do grande interface rodoviário e ferroviário, São Romão do Coronado torna-se, cada vez mais, um importante pólo económico da região Norte e um ponto de passagem obrigatório para aqueles que vão e vêm do Porto.

Em termos culturais e desprovidos, a freguesia está representada por diversas Associações culturais e desportivas: o Futebol Clube de São Romão do Coronado, o Rancho Folclórico de São Romão do Coronado, a Associação Humanitária de São Romão do Coronado, o Grupo de Escuteiros local, a Sociedade Columbófila de São Romão do Coronado, o Infantário Romãozinho e a Casa de Repouso da Quinta do Vau, com valências de Centro de Dia e Lar de Terceira Idade. Tendo também existido o Centro de Atletismo de São Romão do Coronado, mas que hoje em dia não existe.

O Futebol Clube de São Romão do Coronado, com sede no lugar do Seixinho, foi fundado a 1 de Julho de 1964. Devido às grandes despesas, que não eram contrabalançadas com os respectivos rendimentos, deixou de practicar futebol federado, mas mais de 20 jovens da freguesia continuam a assegurar a prática do futebol na localidade, competindo em torneios concelhios. Além disso, o seu campo é periódicamente alugado a colectividades, como é o exemplo do Trofense.

Em meados do século, existiu um outro clube de futebol em São Romão do Coronado. Tratava-se do Atlético Clube de São Romão do Coronado, que também tinha campo próprio e que com o Futebol Clube competia num clima de grande salutar rivalidade pelo domínio futebolístico da região. Toda a freguesia chorou no dia em que o clube acabou. Mesmo os adeptos do Futebol Clube do Coronado. Porque já não tinham ninguém de quem dizer graças, graçolas, anedotas. Como se ao Porto tirassem o Boavista, ou ao Benfica o Sporting…

O folclore, nesta terra, situada na transição do Douro para o Minho, faz parte integrante da vida do povo, nasce com ele. Como terra de riquíssimas tradições, São Romão teria de ter, necessariamente, um Rancho Folclórico. O seu Rancho foi fundado em 25 de Agosto de 1973. Muito activo, graças ao dinamismo dos seus 60 membros, leva a cabo a realização de um Festival de Folclore na povoação, participando também em muitos festivais de folclore de Norte a Sul do país e no estrangeiro. Com várias gravações já feitas, é membro fundador da Federação do Folclore Português. Tem uma bonita sede no lugar do Seixal.

Cotado com o um dos melhores da região, preserva as mais lídimas tradições da freguesia, recolhendo danças e cantares antigos: o Malhão à Desgarrada, a Cana Verde, o Serra, a Espadelada, o José Maria, a Arregaça, o Vira Batido, o Milho Brilha na Eira, a Dovadoura, o Regadinho, a Mugiga e a Margarida Moleira.

No fundo, o Rancho é tendencialmente, segundo um folheto promocional, “o ponto de convergência de várias tradições, enriquecido por um certo desejo de simbiose, sem entretanto, matar as origens desta região situado neste cantinho à beira-mar.”

A Associação Humanitária de São Romão do Coronado é uma Instituição Particular de Segurança Social, criada a 4 de Agosto de 1993, dia em que foi reconhecida oficialmente através de publicação no Diário da República e com sede na rua José Régio, desta mesma freguesia. Sem fins lucrativos pretende assegurar as valências de Centro de Dia e Jardim de Infância.

A Sociedade Columbófila de São Romão do Coronado, com sede própria no Largo do Cruzeiro e o Grupo de Escuteiros, que tem sido apoiado pelas forças vivas da região tem sede no Largo de São Bartolomeu, são colectividades que enriquecer panorama cultural da freguesia.

Uma referência final para algumas grandes figuras de São Romão do Coronado, que ficaram célebres pelo muito que deram à freguesia, dedicando a ela toda uma vida de trabalho. Entre os inúmeros exemplos destaca-se o Padre Cândido de Sousa Maia,[1] falecido em 1888, que levou longe o nome de São Romão, como Missionário em África; o Padre Augusto Moreira Lagoa, que nasceu em 1887, tendo sido durante muitos anos Pároco da freguesia, em meados do século; o Cónego Augusto de Sousa Maia, que nasceu em 1880 e foi Professor de gabarito no Seminário de Leiria.


[1] O padre Cândido de Sousa Maia, em 1914 era padre em Massarelos - Porto. E o tio dele, o padre Jerónimo era abade na Folgosa.