• Plano Pastoral 2016 2017
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Ambiente

São Romão do Coronado é terra de povoamento antiquíssimo, localizada no Vale do Coronado. As condições geográficas do território favoreceram tão precoce fixação das populações. O clima, a textura dos solos e a densa vegetação existente criaram as condições ideais para o trabalho agrícola e para a sobrevivência daqueles que em primeiro lugar chegaram a São Romão do Coronado.

A textura dos solos desta zona, na sua generalidade, é arenosa e permeável, favorável à agricultura. O que salta à vista de imediato na textura dos solos é a existência de duas unidades litológicas fundamentais: granito e xistos, estes últimos sedimentares e metamórficos. É sobre o granito que assenta grande parte dos seus solos.

A pedra granítica reparte-se por duas espécies principais, uma de grão grosseiro de duas micas e outra de grão mais fino. Tem por norma uma cor acizentada que, através da oxidação de superfície, se apresenta com tons de castanho.

Algumas variedades de grão homogéneo e de grande frescura são de óptima qualidade, do ponto de vista industrial, por isso foram exploradas de forma intensiva em algumas pedreiras do concelho, a partir de meados do século e por isso muito importantes na economia da região.

O granito surge a espaços, rodeado de vegetação herbácea e arbustiva, que logo se transforma em mato, tojo e urze nos declives não expostos ao sol.

Ocupando área quase tão extensa como o granito e, ladeado de um lado e outro por este, notam-se as formações do Silúrico, que contactam também com manchas do Arcaico.

Os solos de São Romão são constituídos também por uma faixa de xistos argilosos, de cores muito variadas e fortemente fracturados. Estes depósitos de xistos, segundo Carrington da Costa, estudioso da matéria, constituem todo o Silúrico superior.

Seguindo a opinião de Nery Salgado, em meados do século, elementos constituintes dos solos da região, como as trilobites do género Harpes, seriam os únicos do género encontrados em Portugal e pertenceriam a uma estreita faixa de xistos que atravessa o rio Ave, um pouco abaixo de Bougado e estabelece ligação entre Valongo e São Félix.

Os solos de São Romão já foram estudados por diversas vezes. Numa dessas explorações, foi encontrado um jazigo de limonites – minerais de ferro provenientes da transformação dos vegetais em águas ferruginosas – nos xistos silúricos. Uma falha, atravessando parte do Silúrico superior, passa a pouca distância do limite do afloramento granítico de São Romão.

Até ao séc. XIV, a vegetação da região seria constituída fundamentalmente por carvalhos, os quais foram dando lugar, de forma progressiva, aos pinheiros bravos e, mais recentemente aos eucaliptos.

Vão resistindo ainda alguns bosques de carvalhos, cada vez mais ameaçados, porém, pelos interesses económicos que as espécies referidas representam. Nos sub-bosques, o tojo, o codesso, a silva, o feto e a giesta brava revestem bouças e pedaços de terra abandonados. A verdura dominante da paisagem prolonga-se por todo o ano, mesmo no pico do Verão, a exemplo do que acontece em toda a região minhota. Facto que terá sido uma importante ajuda para os primeiros habitantes do território, mais protegidos dessa forma contra os perigos de uma Natureza ainda desconhecida.

[No séc. XIX] Santo Tirso se situava na província do Minho. Assisadamente o estava, com efeito, as características desta região, flagrantes ao mais distraído dos olhares, indubitavelmente a colocam naquela província, numa classificação, aliás, que tem o patrocínio de eminentes especialistas. O grande mestre José Leite de Vasconcelos dizia que, quer no aspecto etnográfico, quer no aspecto arqueológico, Santo Tirso é Minho puríssimo. E vai mais longe: este concelho e quase todos os distritos do Porto, incluindo a própria cidade, são, na realidade, Baixo Minho. O doutíssimo Alberto Sampaio, por sua vez; considerava Minho não só a cidade do Porto, mas, também, o concelho de Vila Nova de Gaia.

Fernando de Castro Pires de Lima