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A romanização

Paisagem de São Romão do CoronadoOs vestígios da romanização são ainda hoje visíveis na região de Santo Tirso. Com os romanos, a população indígena foi impelida a abandonar os seus castros (recintos muralhados ou cercados de valas defensivas), instalados no sopé das montanhas e a descer para os vales aluviais, férteis e mais propícios à agricultura. Aí, foram fundadas “villas” ou “quintas”, que deram origem a novos povoamentos. A economia de montanha começava a ser substituída por uma economia que, se ainda não se podia considerar “de mercado”, pelo menos aproveitava de forma intensiva os melhores solos, cultivados por um arado de madeira do tipo mediterrânico.

Por obrigação de tributação e recolha de impostos, foram fixados limites às novas unidades agrárias, as quais, atravessando épocas sucessivas, se prolongaram pela Alta Idade Média para formar os quadros bases das nossas freguesias.

A necessidade de cobrar impostos obrigou à delimitação da propriedade, que até aí se inseria em formas difusas de colectivismo agrário. Como consequência, surgiam os detentores legais da terra, os proprietários.

O possuidor dessas parcelas agrícolas, dessas “villas”, era o Dominus, ou seja, aquele que tinha o seu domínio. Uma denominação que estará presente em toda a documentação notarial até ao séc. XIll.

Casa SolarengaA ideia da exploração racional das terras, divididas fiscalmente e assim distribuídas, tornou-se dominante para a instalação das populações e para a rentabilização do sistema financeiro e tributário.

Se nas zonas de floresta, acima dos quatrocentos metros, a população dispunha de abundante caça e pastos para o seu gado e nas planícies aluviais cultivava os cereais (centeio e cevada de Inverno, milho alvo e painço de Verão), na zona compreendida entre os trezentos e quatrocentos metros, construiu as suas habitações.

Este tipo de povoamento indica o bom aproveitamento das terras, as aluviais e as que estavam localizadas em meia encosta. A ponto de haver frequentemente excedentes, que eram vendidos nos mercados.

A influência dos romanos na transformação do modo de vida das populações foi mais extensa e não se ficou pelo aspecto económico.

Moínho da MamoaAlém de conseguir que os povos locais abandonassem os seus castros, nas montanhas e, descessem para os férteis vales aluviais, alterando assim radicalmente a economia vigente, o dominador romano introduziu novas técnicas na agricultura e na construção das habitações.

Impressionante a rede viária deixada em todo o país pelos romanos. Uma rede formada por estradas pavimentadas com grandes lajes de pedra, frequentemente pontuadas por colunas cilíndricas, os chamados marcos miliários, que indicavam a distância entre as diferentes povoações.

As estradas romanas incluíam uma meticulosa preparação dos traçados e a adopção de soluções eficazes para transpôr os principais obstáculos, sobretudo cursos de água. Todavia, nem sempre se construíam pontes para os vencer. A travessia dos rios podia ser efectuada por meio de barcos, ou então, quando o canal das águas e a distância entre as duas margens o permitiam, no leito da ribeira limitavam-se a colocar pedras, sobre as quais fixavam plataformas de madeira.

Carlos Fabião

Uma dessas estradas, que ligava o Lisboa a Braga, passava, no anterior concelho de Santo Tirso, mais concretamente na Trofa Velha – Santiago de Bougado, actualmente pertencente ao concelho da Trofa.

O traçado dessa via está bem definido por miliários, alguns dos quais chegaram até aos nossos dias.

Passaria por São Mamede de Infesta, São Pedro de Avioso, próxima de São Romão do Coronado, Carriça, Quinta do Paiço, Peça Má e chegava à Trofa Velha. Aí, atravessava o rio Ave e, seguindo por Famalicão, chegava a Braga.

Um traçado que demonstra a importância que a região de Santo Tirso teve durante o domínio romano em Portugal e da qual São Romão do Coronado terá certamente beneficiado.